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"Perdida no inferno abrasador de um canyon, uma mulher luta desesperadamente pela vida"
Paixão segundo G.H.- Clarice Lispector
Dois mil e seis em seus primeiros meses...
recém-nascido. Ainda enrugado, inchado... tantas expectativas são criadas ou reaproveitadas pois não se cumpriu. Dia primeiro é o dia da promessa, das supertições, do riso, da confraternização, da ressurreição, dia de aclamar a Deus. Dia dois é o dia do cansaço, do dorminhoco, das histórias... dia três é o dia de pensar no carnaval, nos feriados... dia quatro (quando a ressaca se vai) é dia de pensar nas contas, do desânimo, da dureza (sem grana)...
De qualquer forma, temos de começar tudo de novo... pôr um ritmo mais animador, esperançoso - que dá vida ao estímulo. Dentre os meus planos de não desistir de uma vida acadêmica, quis começar por me entregar a páginas que foram escritas por alguém sem pensar a quem...rsrsrs...
E nada melhor que começar com Clarice Lispector (aahh.. Clarice
não ouso dizer Minha Clarice, sois tão una, tão mundo.). O título do livro bem sugestivo para início de ano, Um sopro de vida (pulsações).Um livro onde não busquei uma moral, um sentindo, apenas um "o quê?"; diria: "sou um autor para me mostrar nu e cru." Um livro sem expectativa, sem lembrança; ele é um instante, um observar desproposital que o torna desconexo, palavras soltas, uma confissão.
Mas confissão "através de" parece tornar o confessor em vítma de seus próprios atos, de ser o que é - como se ser o que é fosse um crime. Se bem que se o indivíduo não se molda ao esquadro da sociedade, sim, o estranho no mínimo é louco. "Através de", com criatividade, lhe dar o título de artísta, escritor intrínseco e - o que pra mim seria mais vantajoso - confessor liberto: fala-se o que quiser através do que se cria e está isento de qualquer acusação de imoralidade e poderá ser coroado ou ser objetivado como ser de mal gosto e, ignorado - mas o que importa é confessar, e mais ainda, de uma maneira que o faça vítima.
Gostei do livro, mas não direi que leiam. Isto não é uma dica, mas foi a minha maneira de começar o meu ano - bom falar MEU ANO... dá idéia de vitória, conquista...
legal perceber o criador se defrontar com a cria,e ainda sim, com os atritos fazer mover a si mesmo porque ver, alí na cria, a ousadia que o criador negou ser, tornando-o um pensador de si, um confessor, e talvez pior, lamentar-se por apenas poder ser quando se cria e não quando se nasce.
"Umas das provas de que uso indevidamente a vida esparsa de Ângela é que ela escreve de um modo que em verdade é meu. O fato é que vou aproveitar a espécie de audácia de Ângela para eu mesmo ousar um pouco louco mas com a garantia de "voltar"."(Clarice Lispestor)

Indefinido
Uma tarde trivial
Um chamar comum
Um atender difícil de se adivinhar
Uma palavra para caracterizar
Uma característica para se saber
Uma voz trêmula como mãos
Uma saudação nervosa
Uma busca por palavras
Um assunto para complementar o tudo bem
Um motivo ou um acaso
Uma vontade ou uma única opção
Um virar para trás ou um procurar desacreditado
Uma saudade de gostar ou uma saudade de ter um carinho
um relembrar ou tirar uma dúvida
um oi puro ou uma intenção
O verão se aproxima
Atos veraneios são perfeitos
Cascas quentes
Interior úmido
Cheiro intenso
Uma dor
Um cair de uma estrela
Uma água suja que escorre
Uma vida em corrente
Um lugar marcante
Um verbo tão puro quando criança
"A sombra de minha alma é o corpo.
O corpo é a sombra de minha alma...
Me disseram que os aleijado se rejubilam assim como me disseram que os cegos se alegram. É que os infelizes se compensam"
Clarice Lispector
Movimentos uniformes
Em seu 4 por 4 a vida escorre em velocidade constante.
Fora, a vida é seca.
No desenho geométrico o que se comprime é puro, é seu.
O espelho reflete todos os lados.
Alí, parece uma lâmina que corta em nome de um pacto.
As vozes que se ouve são várias e nenhuma sua, mas a essência é o flutuar de alma que a move
As capas coloridas de um lado mostram uma intelectualidade intrínseca
(...)
Olá Amiga!
em um quadrado me escondo, mais adentro cortinas me encobrem. O ar que entra é quadrado,a luz é a criação humana.
Estou toda dentro de uma criação humana - ou seria cuspi humano? Sim, estou no cuspi, na criação não poderia estar. Cuspi é resto, criação é inteiro, é orgulho.
Preciso me desintegrar ao chão. Mas não neste chão facetado. Quero o árido,o fino, a tonelada de chão abaixo, quero o que esfolia minha pele.
Preciso entrar na terra assim como raízes de árvores velhas: penetram-se no úmido até conseguirem sugar seu alimento. Mas terei de pagar o preço: hei de sustentar essa terra.
Estou me escapando. Não, não! - preciso me agarrar em letras quase hieroglíficas. Por favor, socorre-me, paciência.
não se vá! Os pensamentos são efêmeros, mas voltam - sempre voltam. e sempre estão de passagem quando longe estou da celulose muda a espera da tinta que a tatuará.
Não! Estou me escapando novamente. Não posso fazer comentário paralelos.
Escuta, eu não posso dizer o que me passa no memento em que ocorrera a passagem. O que me ocorrera é o tocável e vulgar. A passagem é onde está o meu inexpressível acomodado e confortável. Mas esse mundo inalcançável é vivo e imperador. Sua respiração me dilata as pupilas e me enfraquece, bebe meu sangue.
O inexpressível precisa se expor - não sei como, mas preciso começar. E começar com o que tenho, com o que me resta para convencê-lo de que ainda sou um corpo vivo, de que minhas mãos são esfinges perigosas: pode pegá-lo e arremeçá-lo para o ápice de minha satisfação e alívio.
Chega!Não posso também ir assim com violêcia quando eu sentir que ele se recua. Não posso me demonstrar completa, pois assim ainda não estou. Tenho minha aparente fragilidade como arma - também não estou prometendo nada. Prometer seria adiar, já disseram isso e concordo como quem se sente humilhado.
Acho que ele passou, poderia agora falar do paralelo que estão bem próximos a minha mão, e no dançar dela esse paralelo se manifesta, se apresenta. - Como meu inexpressível é egoísta. Mas tem de ser, senão poderia ser o inalcançável.
Estou me maltratando. Meu corpo se envelhece a cada degustar. E a ele preciso pedir perdão.
Eu necessito do meu corpo, o uso, mas ele pouco me ama, por isso me sinto em tamanha decepção de mim mesma. Meu corpo pede para ser amado e eu só o ilustro quando dele, mas do que nunca, necessito.
Sou áspera comigo mesma,
longe de mim
Alma que reside no porco, no esquecido, na culpa.
...ele me parece um escrínio. Sua jóia a ser lapidada. Com doçura ele me põe diante da chave. Mas não, não! Tenho de me limpar, me moldar. Na sujeira ele não há nem merece tocar.
Não posso mais prometer. Já disseram, eu concordei humilhadamente e repito: prometer é adiar a ação. Tenho que começar agora. Tenho que me convencer disso , me fortificar, pois a chave é pesada.
Vou-me calar para me convencer. Palavras não convencem, apenas demonstram. Seu convencimento seria superficial e soaria como promessa a mim. Não, não quero a mudança a partir da leitura, quero que seja de uma idéia solidificada e imperadora.
Sai do weblogger não agüento mais aqueles problemas inadimissíveis que assolam os servidores do WEBLOGGER.
Que vcs aproveitem bem esse meu novo blog, novo endereço... acho que tudo está ficando novo... Algumas coisas aconteceram, mas tudo está clareando... Bem.. chega... Vou tentar postar os meus antigos posts aqui.. beijos a todos e agradeço a visita de cada um...